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Santo do Dia - 25 de Março - Anunciação do Senhor PDF Imprimir E-mail
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O título atual, e antigo, desta solenidade mostra o seu carácter cristológico mais que mariano.O mistério comemorado na festa de hoje é a Conceição do Filho de Deus no seio da Bem-aventurada Virgem Maria. São Lucas deixou-nos, no primeiro capítulo do seu Evangelho, uma narração simples e grandiosa.

O título atual, e antigo, desta solenidade mostra o seu caráter cristológico mais que mariano. É a solenidade do grande mistério cristão, da Encarnação do Verbo de Deus. E o Verbo fez-Se carne. Texto que hoje está gravado numa placa de mármore diante do altar que se levanta na gruta da Basílica da Anunciação. Aqui de Maria Virgem fez-Se carne o Verbo.

 

A data de 25 de Março não é arbitrária: está em função do Nascimento de Jesus, que é celebrado exatamente nove meses depois. Já no século VII, a data de 25 de Março, se fundava numa tradição tão venerável e universal que o II Concílio Trulano, em 692, se bem que proibisse durante a Quaresma todas as festas, excetuou a da Encarnação. E os Gregos ainda hoje, enquanto dura a Quaresma, omitem a celebração diária do santo Sacrifício, exceto nos sábados, nos domingos e no dia 25 de Março. E na Idade Média a solenidade de hoje indicava, nos países cristãos, o verdadeiro princípio do ano civil.

 

No Oriente celebrava-se a Encarnação do Senhor já antes do ano de 446. No Ocidente é posterior, pois não figura no Missal Galicano e só aparece nos Sacramentários Gelasiano e Gregoriano do primeiro período carolíngio. Mas pelo Livro Pontifical sabemos que são Sérgio I (687-701) ordenou fosse celebrada solenemente a Encarnação em Roma, com uma procissão estacional que partia da diaconia de santo Adriano e terminava em santa Maria Maior. Na Península Ibérica, por ser dia de jejum, transladou-se na Idade Média para 18 de Dezembro.

 

A Encarnação realiza-se na aldeiazinha de Nazaré, a ocultas dos olhares curiosos dos homens, num vale da Galiléia. Por todos os lados circundada de montes, evoca na Primavera a imagem duma flor solitária que se abre para o céu no seu fresco e verde cálice.

 

Neste asilo de recolhimento e oração, vivia, cinco ou seis anos antes de começar a era cristã, uma jovem chamada Maria, órfã de pai e mãe. Sabemos que se antecipara nela a graça à natureza, que nenhum hálito impuro a manchara, que era a única filha de Adão isenta do pecado original desde que fora concebida imaculada, em resultado dum milagre único, de redenção preservativa. Deus esgotara nela os tesouros do seu amor e onipotência, para lhe embelezar o corpo e a alma. A fidelidade da Virgem, multiplicando sem cessar as graças do céu, aumentou para além de toda a medida os seus méritos, e chegou a ser a mais formosa, a mais nobre e a mais sublime de todas as obras saídas das mãos do Todo-poderoso. Os seus patrícios e parentes não deram, todavia conta da sua grandeza e plenitude. Quando ao cair do sol ia com o seu cântaro buscar água à fonte única de Nazaré, não se distinguia das companheiras. Era a pérola preciosa, ignorada pelos homens, cujo valor só o artista divino conhecia, Ele que a escolhera entre todas as mulheres para sua mãe.

 

O anjo do Senhor anunciou a Maria. A Virgem estava recolhida em oração, talvez meditando na profecia de Isaías sobre a donzela que havia de dar à luz um menino. O anjo disse-lhe: Paz, cheia de graça. Os Gregos, ao encontrarem-se, desejavam mutuamente a alegria; os Romanos, a saúde; os Semitas, então como hoje, a paz. Muitas personagens ilustres do Antigo Testamento - Abraão, David, Isaías, Jeremias. . . - tinham recebido promessas alentadoras, de auxílio e proteção divina, para desempenharem a missão dolorosa a que Deus as destinava. Mas nunca uma criatura humana ouvira a saudação dum mensageiro celestial em termos tão encomiásticos: cheia de graça.

 

As palavras do anjo, mais que a sua presença, preocuparam momentaneamente Maria, até que S. Gabriel a tranqüilizou, explicando-lhe o sentido delas: Não tenhas receio, Maria, pois achaste graça diante de Deus. Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e chamar-se-á Filho do Altissimo. O Senhor Deus dar-lhe-á o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.

 

A Virgem estava familiarizada com a Sagrada Escritura e compreendeu imediatamente do que se tratava. O Anjo oferecia-lhe a maternidade do Messias, do Filho de Deus, do Emanuel ou Deus conosco.

 

Qualquer donzela se desvaneceria com anúncio tão lisonjeiro, que formava a realização do sonho do irado de todas as judias. A Virgem Maria, essa escuta serena, crê nas palavras do anjo, mas encontra dificuldades. Em consciência está ligada com uma promessa de virgindade, incompatível, humanamente falando, com a maternidade. Como será isso, se eu não conheço homem? É maneira delicada e bíblica de afirmar o seu propósito absoluto de continência total Nem Sara, nem a mãe de Samuel, nem mulher alguma, a quem Deus prometia um filho, tinha proposto nunca semelhante inconveniente. A Virgem, mais iluminada que todas elas, conhece o tesouro da pureza, a estima que. Deus lhe dedica, e antepõe-no à maternidade.

 

O anjo resolve-lhe, em nome de Deus, a dificuldade, explicando-lhe o modo sobrenatural e milagroso como há de chegar a ser mãe: O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso mesmo é que o Santo que vai nascer há de chamar-Se Filho de Deus. Maria não tem que temer pela sua virgindade. Ela, a cheia de graça, receberá efusão nova no momento em que Deus a envolver com o seu poder criador. A presença divina fica, no seu seio, muito mais real que antigamente sobre a Arca da Aliança, quando a nuvem luminosa cobria o Tabernáculo. Aquele que há de nascer dela, sem cooperação nenhuma de homem mas só pela atividade do Espírito Santo, será verdadeiramente Filho de Deus.

 

Gabriel desempenhou a sua mensagem e só espera o consentimento de Maria. Ela não o pode recusar mas, na atual ordem da Providência, é necessário que o gênero humano aceite o seu Redentor, e aceita-o na pessoa da Virgem-Mãe. Convinha que uma mulher cooperasse para a nossa salvação e regeneração, como outra mulher tinha contribuído para a nossa queda e ruína no Paraíso. Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.

 

Como o sacerdote, em nome do Pontífice eterno, com cinco palavras de autoridade faz descer sobre o altar o Filho de Deus, assim Maria, em nome da humanidade que representa, fá-lo descer ao próprio seio com cinco palavras de obediência e humildade, com que se entrega. E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós. Este é o anúncio mais consolador que em algum tempo foi comunicado a ouvidos humanos. Deus fez-Se um de nós, Deus vem salvar-nos, e vem por meio de Maria.


Fonte: Site Padre Marcelo Rossi
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